Futuro do rio Corgo e da ribeira da Pena discutido em Tourencinho
A aldeia de Tourencinho em Vila Pouca de Aguiar recebeu no sábado, dia 30 de maio, o evento “Painel da Primavera – Rios em Diálogo”, uma iniciativa dedicada à valorização, diagnóstico e recuperação ecológica do rio Corgo e da ribeira da Pena. A sessão juntou a comunidade local, entidades públicas, especialistas, associações e representantes institucionais.
A
manhã começou com uma caminhada interpelativa orientada pelo professor Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), António Crespí, pelas margens do rio
Corgo. A atividade contou com a presença do Vice-Presidente da Câmara Municipal
de Vila Pouca de Aguiar, José Luís Teixeira. Ao longo do percurso, “os participantes
aprofundaram conhecimentos sobre a fitossociologia da paisagem, a história
ecológica do vale e a influência das comunidades humanas na construção e
transformação do território que hoje habitamos", segundo uma nota
partilhada pela equipa do projeto Kalaiko.
Durante
a caminhada foram observados vários elementos “relevantes” para a compreensão
do estado atual do ecossistema ripícola, entre eles a presença de amieiros
secos ou mortos devido à doença do amieiro, doença provocada por um fungo que
tem afetado a bacia do rio Corgo. Foi também identificado a presença “excessiva”
de vegetação no leito o rio, conforme explicado pela Professora Doutora Simone
Varandas, da UTAD.
De tarde foi realizada uma mesa redonda e sessão
participativa com as entidades convidadas, entre as quais representantes da Agência
Portuguesa do Ambiente (APA), Águas do Norte, UTAD, Município de Vila Pouca de
Aguiar, Associação Cultural e Recreativa Tourencius dos Xudreiros (ACRTX), António
Lameiras e Kalaiko. A sessão contou também com a presença da Presidente da
Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, e do Diretor da Águas
do Norte, Nuno Aguilar.
Entre os principais temas abordados esteve, segundo a mesma
fonte, a necessidade de um trabalho integrado entre a comunidade local, o
Município de Vila Pouca de Aguiar, a Junta de Freguesia de Telões, a Águas do
Norte e a APA, “de forma a alinhar prioridades e esforços para melhorar a
situação atual do rio”.
Foi explicado que uma das dificuldades identificadas está
relacionada com a sobrecarga da ETAR por entrada de águas limpas, provenientes
de águas pluviais e de sobras de nascentes privadas. Esta situação “compromete
o funcionamento adequado da infraestrutura, uma vez que a ETAR está preparada
para tratar águas residuais e depende de determinadas condições físico-químicas
e biológicas para funcionar corretamente”, conforme indica uma nota partilhada
pela Kalaiko
A mesa redonda permitiu ainda dar a conhecer fontes de poluição,
medidas a seguir, futuras ações de sensibilização em parceria com a Águas do
Norte, bem como a possibilidade de inclusão do rio Corgo no programa PRO-RIOS
2030. Foram também discutidas medidas de restauro ecológico, a importância dos
açudes, da bacia hidrográfica e do vale do Corgo enquanto sistema ecológico,
cultural e comunitário.
O evento foi organizado por Kalaiko no âmbito do projeto
CorGO - Community River Action Lab (co-funded by European Union no âmbito dos
regenerative communities fund promovido por ECOLISE, funding fairer futures)
com o envolvimento da Associação Cultural e Recreativa de Tourencius dos
Xudreiros — ACRTX.
Giovane Rodrigues
Fotos: Sara Barreiro, Daniela Barreiro e Caio Maia
08/06/2026
Sociedade
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