Associação acusa Savannah de violar DIA com desmatação em Covas do Barroso, mas empresa rejeita e fala em “acusação infundada”


A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) acusou a Savannah Resources, responsável pelo projeto da Mina do Barroso, em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, de incumprir a Declaração de Impacte Ambiental (DIA). A associação denuncia trabalhos de desmatação em terrenos abrangidos pela servidão administrativa fora do período permitido e a empresa garante estar a cumprir “integralmente” as obrigações ambientais aplicáveis.

Num comunicado enviado às redações, a associação afirma que os trabalhos “contrariam explicitamente as condicionantes estabelecidas” na DIA favorável condicionada emitida em maio de 2023, segundo a qual a desmatação “só pode ocorrer entre 1 de setembro e 15 de março, fora da época crítica de nidificação da avifauna própria do meio em causa, da época de reprodução do lobo e das espécies da fauna em geral”, lê-se na nota.

De acordo com a UDCB, a comunidade local observou nos últimos dias intervenções no terreno que implicam o desmate do coberto vegetal, no âmbito da servidão administrativa atribuída este mês à Savannah Resources, que permite à empresa aceder a terrenos privados e baldios para trabalhos de sondagem e geotecnia.

Esta desmatação “perturba habitats naturais num período ambientalmente sensível, precisamente quando diversas espécies protegidas se encontram em fase de reprodução e nidificação”, destacam na mesma nota, e recordam que a servidão administrativa “não suspende nem substitui as obrigações ambientais associadas ao projeto”.

Citada no comunicado, Aida Fernandes, sócia da UDCB, realça que “para nós, este projeto de mina tem sido, desde o início, um desrespeito à comunidade local. É-nos imposto como sendo de suposto interesse público, mas depois não há fiscalização à altura. O que está a acontecer agora é mais um exemplo. Na prática, quem tem estado a fiscalizar os trabalhos é a própria população. Não há uma fiscalização séria por parte das entidades responsáveis”.

Também citada pela associação, Catarina Alves considera que a Mina do Barroso “é um projeto repleto de falhas. Há problemas técnicos, falta de transparência e obstáculos à participação pública. E agora surge esta intervenção no terreno que não respeita o que está definido na DIA. É um processo mal conduzido desde o início, com licenciamentos apressados e falta de fiscalização. É altura de levar a sério os argumentos da população local e cancelar este projeto”.

Em resposta enviada ao Canal Alto Tâmega, a Savannah Resources rejeitou as acusações e afirmou que os trabalhos decorrem “em estrito cumprimento das obrigações ambientais aplicáveis”, e assegura que estão a ser implementadas as medidas de minimização e os programas de monitorização previstos.

A empresa refere que a DIA “determina expressamente que as áreas de intervenção devem ser confinadas ao menor espaço possível e que a destruição do coberto vegetal deve limitar-se às áreas estritamente necessárias, princípios que estão a ser integralmente observados”, lê-se no comunicado enviado.

Segundo a Savannah, os trabalhos atualmente em curso “dizem respeito a intervenções de dimensão muito reduzida, distintas, pela sua natureza e escala, das operações previstas para a futura fase de construção do projeto”.

A empresa acrescenta ainda que “todas as medidas de minimização e monitorização estabelecidas na DIA em vigor continuam a ser rigorosamente cumpridas e acompanhadas pelas equipas técnicas responsáveis”.

A Savannah considera tratar-se de “mais uma acusação infundada por parte da UDCB, parte do seu esforço de desinformação e de espalhar desconfiança”, e acrescenta que a associação poderia ter procurado “dialogar com a empresa para clarificar qualquer dúvida”.

A UDCB acusa ainda a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) de não garantirem “um escrutínio transparente, rigoroso e efetivamente independente” sobre as atividades da empresa em Covas do Barroso.

A empresa garante que vai continuar a desenvolver o projeto da Mina do Barroso “com responsabilidade ambiental, transparência e respeito pelo enquadramento legal e pelas condicionantes aplicáveis”.

Já a associação exige a interrupção imediata dos trabalhos de desmatação e garante que continuará a contestar o projeto e a defender a sua anulação.

 

Sara Esteves

Fotos: UDCB

 


26/05/2026

Sociedade


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