Abate nas explorações pode ser “útil” em zonas isoladas, mas “não faz muito sentido” no Alto Tâmega e Barroso


O Governo vai avançar com um novo enquadramento legal que permitirá o abate de animais nas explorações agrícolas e a criação de matadouros móveis. A medida pretende responder às necessidades dos territórios de baixa densidade, anunciou o secretário de Estado da Agricultura, João Moura.

Contactado pelo Canal Alto Tâmega, o Presidente da Cooperativa Agrícola do Barroso (CoopBarroso), Nuno Sousa, considerou que a possibilidade de abate de animais nas explorações agrícolas pode ser uma solução “útil” em territórios mais isolados, mas defendeu que a medida terá pouco impacto na região do Alto Tâmega e Barroso, onde existe um Matadouro regional.

“Em territórios que estejam muito deslocados de um matadouro, faz algum sentido porque, há, de certa forma, o transporte que não só acaba por afetar a qualidade da carne, sendo um transporte longo, como também, em termos de bem-estar animal”, afirmou o responsável pela CoopBarroso, entidade que gere o Matadouro Regional do Barroso e Alto Tâmega, no Barracão, concelho de Montalegre

No entanto, Nuno Sousa sublinhou que a realidade local é diferente, devido à existência de um matadouro regional com capacidade para responder às necessidades dos produtores.

“Portanto, não faz muito sentido esse tipo de medida aqui na nossa região. De qualquer das maneiras, há regiões que de facto poderá ser vantajoso para os agricultores”, disse.

O matadouro da região abrange os concelhos de Montalegre, Boticas Chaves, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, e presta serviços de abate de bovinos, suínos e pequenos ruminantes com regularidade.

O dirigente referiu ainda que se tem registado uma diminuição no número de abates, uma tendência que diz ser transversal ao país. Por outro lado, alertou para a necessidade de garantir controlo e acompanhamento técnico no eventual abate realizado nas explorações agrícolas.

“Pelo aquilo que eu entendo, o abate terá sempre que ser acompanhado por um veterinário e terá que ser sempre, vigiado em relação às condições de abate”, afirmou.

De acordo com o Secretário de Estado, a nova abordagem permitirá reduzir a necessidade de transporte de animais vivos, alterando a lógica atual da cadeia produtiva. “O que é transportado não são os animais vivos, são as carcaças”, referiu. Segundo o governante, a medida pretende responder a constrangimentos logísticos e económicos enfrentados por produtores, sobretudo em regiões do interior.

 

Sara Esteves

Foto: CoopBarroso


09/04/2026

Sociedade


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